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Mantida com recursos próprios dos comerciantes e donativos dos moradores do bairro São Francisco, em Porto Velho , a Creche Comunitária Dantas ganhou, dia 22 de julho último, a adesão dos voluntários do “Projeto Justiça do Trabalho Solidária”, por meio do qual o TRT da 14ª apóia as campanhas do Comitê de Entidades no Combate à Fome e pela Vida (Coep).
O grupo de servidores visitou no domingo a creche para anunciar os resultados e elaborar o cronograma de entrega dos alimentos e objetos arrecadados duranta a campanha, que contou com a participação de servidores do edifício-sede e das Varas do Trabalho de Porto Velho. Na ocasião, os novos “amigos” da entidade acompanharam a manhã de lazer e entretenimento das crianças e ajudaram a servir lanche e refrigerante aos menores que também assistiram à projeção do filme “Homem aranha”.
O grupo participou ainda da feijoada beneficente, que arrecadou cerca de R$400,00 com a venda de uma das duas geladeiras usadas doadas à entidade, que mantém os estudos de 150 crianças de três a seis anos. De acordo com a direção da creche, o dinheiro arrecadado será usado no pagamento do conserto do fogão, do bebedouro e na quitação de contas com vencimento de curto prazo, dentre as quais dívidas trabalhistas e previdenciárias.
A campanha conseguiu também outras doações, como um fogão com sugar, 758 litros de leite, quatro pacotes de leite em pó de 500g, 309 pacotes de biscoito, 3125kg de açúcar, 109kg de achocolatados, 76 rolos de papel higiênico, 219 sabonetes, 181 tubos de creme dental, 151 escovas infantis, televisão, vídeo-cassete, roupas e sapatos usados. Com o brechó – venda de roupas e objetos usados – foram arrecadados cerca de R$500,00.
Novas metas
O apoio à creche foi definido com base em estudos e após a adesão do TRT ao Coep, em 2006. A coordenação do projeto anunciou outras metas com as quais pretende ajudar na melhoria da qualidade de vida das 150 crianças atendidas pela creche, dentre as quais o desenvolvimento de ações de inclusão digital. Segundo uma das voluntárias, o Conselho Regional de Engenharia de Rondônia (Crea) confirmou também a construção de novos banheiros.
A diretora Delzíria de Oliveira Dantas disse que o registro das três primeiras reclamações trabalhistas coincidiram com o anúncio do descredenciamento da escola pela prefeitura. Para quitar as parcelas junto ao INSS, ela e seus filhos não tiveram outra saída: saíram pedindo roupas e sapatos usados nos finais de semana aos moradores dos bairros de classe média próximos e promoveram brechós para arrecadar o dinheiro. “Tudo leva a crer que as reclamantes foram incentivadas por pessoas interessadas no fechamento da creche”, disse.
Perseguição política
A diretora atribui o descredenciamento da creche, que contribuiu para o afastamento de professores e o corte da merenda escolas, a uma medida de retaliação da prefeitura. Delzíria explicou que as pressões políticas começaram quando ela se recusou a apoiar a candidatura do ex-secretário municipal de Educação a prefeito, na campanha eleitoral de 2005. “Gorda”, como é chamada a diretora Delzíria, disse, ainda, que os pais também receberam ameaças para retirar os filhos da escolinha, que já havia formado dez turmas de 1ª série. “Eu fui parar no hospital de tanto trabalhar”.
A decisão da prefeitura prejudicou cerca de 300 alunos, inclusive os pais que se transformaram nos estudantes do período noturno. A maioria é filho de famílias desestruturadas e egressas de um quadro de violência doméstica no relacionamento dos casais, tendo como principais causas o uso de drogas e bebidas alcoólicas, desemprego e outros desajustes.
Estatísticas divulgadas pelo Coep indicam que os casais do bairro possuem em média de quatro a 13 filhos, a maioria criados pelas avós, que têm como única fonte de renda a aposentadoria. Somente 10% dos pais têm carteiras assinadas, 50% das mães trabalham como diaristas, 40% são desempregados, na maioria dos casos é a mãe quem sustenta a família, pois é separada do marido.
Dez anos de creche
Os irmãos Wellington Nogueira dos Santos, 11 anos, e Diwlay, 7 anos, são dois dos cerca de 300 ex-alunos prejudicados com o descredenciamento da escola, que funcionou até 2005 com as 1ª e 2ª séries do ensino fundamental e foram incluídas entre as conveniadas, depois de funcionar por dez anos como creche comunitária.
Criada pelo Clube de Mães, na época da invasão dos bairros JK I, II e III, quando as integrantes se reuniam no meio da rua, a creche funcionou durante muito tempo em instalações precárias de madeira e terreno doado por um sobrinho de Delzíria. Mais tarde foi construída em alvenaria, mas necessita de reparos nos banheiros, adaptação dos espaços e de vasos sanitários para atender às crianças, pintura e forro das salas de aula e ampliação do refeitório.
As pressões, no entanto, revoltaram os pais que se uniram aos comerciantes e, num gesto de solidariedade, passaram a ajudar na manutenção da creche participando e apoiando as promoções beneficentes.
Fonte:
Abdoral Cardoso
Publicado em 30 de Jujho de 2007 às 10:30 horas
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